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08/08/2007 "Reentrada"

Reentrada


Não sei se a palavra exite. Não sei se está grafada corretamente.Que importa? O sentimento não corresponde ao significado. Não sei se saí. Não sei onde fui, se fui.

Olho a porta e não consigo entrar. Me pediam uma chave pra abrir a porta. Meu proprio domínio...que ironia!

Me pego em desavenho. Eu, que sempre me achei portentosa e senhora de mim, fico barrada na porta de meu próprio escaninho.

Que resquícios forjaram essa censura?

Fato é que insisti. Bati à porta muitas vezes, ousei diferentes senhas, nada em vão, por que sonhei chegar e ficar, pelo menos por um pouco. E em meio a arquivos, papeis vários, cartas, cartões, extratos, distratos e contratos, encontro o bilhete inicial e nele a chave para o "enter".

E eis-me aqui, inchada de possibilidades, amores retidos, paixões ardentes queimando visceras, silencios forçados por companhias e campainhas desligadas.

Mal posso respirar, posso pirar..há que pirar pra respirar e expirar.
Sim, sem a retençao, onde fica o gozo?
Onde te escondes? em que escaninhos e labirintos de tantas curvas internas e infernais ditas tuas leis e me submete à insonia, à tortura quase vã do não sei?

Preciso me saber, preciso me encontrar pra te contar, pra te cortar, fatias saborosas de deleite, espalhadas entre molhos e caldos outrora derramados por amores vis e nunca vãos.

Nenhum amor é vão, nenhuma entrada é triunfal, apenas a re-entrada, localizada no segredo mais íntimo de sutis reentrancias entre a pele e o desejo.

Para que preciso de verão?