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08/08/2007 "Sem tangos e sem boleros"

Sem tangos e sem boleros


Ouço música quase sempre. Quase e sempre parecem não fazer boa parceria numa mesma frase. Assim como tangos e boleros. Ritmos parentes que falam do amor de forma distinta. Num a paixão enloquecida, noutro a nostalgia e a melancolia da despedida dessa possibilidade.

Ambos, instantes distintos e marcantes de compassos no processo de encontro e despedida.

E essa vã e torturante passagem nada secreta que nos invade a todos sem piedade! saga humana?
Talvez.
Percebo que nasci par, cresci impar, me torturando pra sair do espaço de única, apenas pra conjugar o aconchego que, em minha história, sempre escapou, sem fugir pelas janelas, sem sair pela tangente. E eu ali, perplexa, querendo entender e viver ao mesmo tempo o luxo do amor na volúpia de querer reter seu mistério.

Ele, soberano, sempre me deu voltas, e na tonteria de nao sabe-lo, me perdi em silencio, na procura de um ritmo que traduzisse meu passo tropego, cheio de memorias vivas a perseguir minha escolha de paz.

Não sou tangueira, não murmuro boleros, mas sei que ambos se escondem em minhas veias e começam a apertar meu coraçao que insiste em avisar que está por explodir.

Na matématica simples entre um e dois, ficam sempre tres e eu a ser vista como o pivô ou o tripé de toda contra-dança.

E não terminei a peça" Por que me miras e não me sacas para bailar". Nem posso. Eis o enredo de minha vida. E nem foi possível virar samba canção.

Não durmo, não danço mais, pois a nossa música nunca mais tocou.