Sábado, Janeiro 31, 2004
Difícil aterrisagem
Voce está sempre assim, no mundo da lua?
- Ouvi essa pergunta de uma amiga recentemente. Hoje em dia, ao que parece, não presto muita atenção a tudo, como sempre fiz. Aprendo a deixar passar em branco. Pra que guardar tantas impressões? Engordam. Descobri que meu sistema digestivo anda preguiçoso pra todas as ofertas que o mundo moderno nos bombardeia.
Depois, pra que aterrissar mesmo?
Até tentei. Foi difícil, está sendo. Noites frias, dessas que convidam apenas para o vinho, a lareira e o amor. Simples, não?!
Também, quase difícil. Se é pra estar na terra, apenas pra ouvir as tragédias da CNN, os casos que não deram certo, e bla, bla, bla, quero aterrissar não.
Não sei se estou no mundo da Lua. Ainda consigo ler,falar, ouvir, arrumar coisas, saborear..
Sim, saborear o inesperado, a entrega a um momento pequeno de extase que conduz a uma cascata de possibilidades que são pra além da terra.
Ouço Maria Rita, enquanto no delicioso banho de espumas, lua nuvens estrelas, e é pura beleza e parece que vc tem a mim.
Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas, me prende me coça...
eiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhheee!
Pra que aterrissar? pra que?
Sandra Paes - 08:31 PM CST [Link]
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
Fazer o que?
Não sei se volto a escrever. De repente, esse ato ficou tão distante como tudo o mais.O silencio nos traz revelaçoes sobre o manifestado e suas dobraduras. De certa forma, sabe-se também que há coisas que não são pra ser escritas, ou faladas, ou publicadas.
Apenas sabe-se. Depois de ter sido promovida oficialmente ao lugar de Sra Paes, percebo o caminho percorrido o soa estranho ouvir aqui e acolá o tom reverente e quase estranho que esse título traz.
Me faz encolher por dentro. Bem que preciso. Gostaria de me encolher mais, um recolher silencioso como deve ser com tudo que entra na segunda curva do infinito. Ë assim que me sinto faz tempo. Mas é assim que me descobri nos últimos dias terrestres ou viradas solares.
Não me sinto humana, nem terrene, nem nada especial. Apenas sei e isso parece que não me tiram de uma certa unicidade. A mesma que vejo em todos os outros. E apenas concluo que Deus parece gostar de diversidade. Cada um é único mesmo e isso independe de imprensões digitais, colhidas ou não nos aeroportos das fronteiras geográficas que parecem conotar um certo poder sobre o coletivo.E parece que é conveniente ignorer isso. No planeta da tentativa de controle espalha-se em nome da ordem e do progresso, em nome da segurança, da civilidade, da globalidade, tantas medidas e tantas regras que nem dá pra acompanhar mais.
Nem eu quero. Entrei precocimente pra idade da contemplaçao pura e da constatação quase larvar da idiotice de nossa espécie. Ao que parece tão distante da própria essencia, sempre correndo atrás da sobrevivencia e do “se dar bem”, espalhado sem nenhum critério prévio.
Estranho meu tempo e meus lugares. Apenas por constatar de fato que não são meus, nunca foram de fato e isso apazigua de certa forma, a revolta que sempre cultivei em torno dos “donos do pedaço”. Coisa essa tão em moda e voga nesse planeta nesses anos de 2004 contados.
No mais a rotina de sempre. A conversa dirigida em torno da sexualidade alheia, tudo com os mesmos tabus, a evasive e efemera discussão sobre moda e forma. A ocupaçao dos espaços de mídia em torno do economes e da vaidade e eu atras da simplicidade complexa que compoe a vida a beleza que ainda posso perceber nos tons do por do sol, na magia da criaçao ao meu redor, sempre.
E pra usufruir de toda essa riqueza so preciso de silencio. O silencio de uma casa interior que espero poder edificar pra minha vida se eternizar de fato.
Dessa daqui me despeço sem maiores ou menores fogos de artifícios procurando a mais simples das formas pra frecha-la num arquivo básico.
E é só.
Sandra Paes - 12:22 PM CST [Link]