Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
Canto à liberdade
Ha no meu peito um coraçao que freme. Sua arritimia não está em busca do surdo da Mangueira. É outro ritmo.
Me acorda, sem quem nem pra que, visto que suas razões, minha razão nem sempre decifra.
E sigo assim, quase ofegante, em busca de uma imagem e me vejo em palácios de Jade, subindo mares transparentes, em meio a cascatas misteriosas dentro de um castelo que habita minha propria alma.
Ela clama! Bate suavemente as camaras internas de meu coraçao e me avisa com voz mansa que é hora de liberdade!
Há la dentro séculos e talvez milhares de dias contabilizados como tempos de prisão, tempos de incompreensão e inúmeras tentativas de aprisionar meu ser- que sempre foi livre, solto e frouxo, adormecido sobre a flor de lotus que constitui em essencia quem sou.
Minha alma, antiga e livre, flutua sobre todos os mares e praias, navega mansa sobre todas as formas e sabe que dessas ilusóes nada nem ninguem pode me aprisionar...
E canto, hoje,à liberdade que assino em meu apelido secreto, canto a alegria una de me saber senhora de todos os sonhos, de todas as imagens, de todas as construçoes que sou capaz de compor e transitar.
Minhas raizes restam no futuro por que o tempo onírico nao é nem nunca será escravo do relógio e seus cartões de ponto, e todos os grilhões que foram inventados em nome da segurança.
Sim vim pra devolver a vida, a vida que muitos perderam em nome do medo de viver o agora.
E nele, nao cabe dores nem ranger de nenhum ordem, nada que se atrite em nome de qualquer medo, nele resta apenas as garrafas de cristal que contem o mais puro absinto- que incandesce sem embriagar, sem abrir espaços pra deslizes de enganos, apenas o elixir da vida transparente.
Sim, transparencia, sonho que nenhuma esfinge foi capaz de ocultar, mesmo que tentando controlar nos desertos dos receios, qualquer sombra.
Hoje me entrego nesse canto à liberdade que minha alma reconhece e me faz ver que tudo é possivel, quando se deixa de fato que ela seja a maestra mor de tudo.
E aqui vou eu, que sou muitas, infinitas e eternizadas apenas no suspiro que me acorda nessa dimensão onde ainda se escreve e se compóe palavras e ideias, na tentativa quase vã de mostrar ao mundo o que ele nao pode e nem sonha ver.
Sandra Paes - 09:38 AM CST [Link]
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Narcisa
Dias distantes.Frios diversos na Terra. Ausencia aparente da Deusa. Recolhimento. Pausa longa como nos concertos de Bach...
Tempos de silencio e escuta apenas..
De repente: nock, nock, nock!
Nao era o frio, era a Deusa em forma de Narciso! e eu resolvi hoje, depois de algum tempo sem saber como lidar com isso, chama-la de Narcisa.
Ela nao traz nas maos o espelho de venus. Nao vem refletir tampouco qq ponto de vaidade que poderia ser acentuada numa personalidade feminina e suas vaidades..
Fiquei assim apenas..
Ponta cabeça..
Nada de pensar muito. Toda a energia da vida vibrando em todos os poros, transcendecia no tempo, revirar das sedas e algodóes.
Voltei a andar de bicicleta.
Deu pra relembrar que pedalar ao vento é mais do que liberdade, é entrega ao equilibrio e à entrega louca e mansa de que cair é sempre uma possibilidade e isso também pode ser ótimo.
Diante de sonhos e devaneios inesperados, nada a fazer, nenhuma palavra, apenas uivos e suspiros.
E eis-me de volta, de volta envolta em braços de Eros e todas suas histórias nunca contadas, por que senão Psique acorda e com ela o brilho de um sonho que é só meu.
Sandra Paes - 07:03 PM CST [Link]