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Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Sem tempo

Nunca pensei que estando em férias ficaria sem tempo disponível. Vir ao Brasil, havia me esquecido,é mais do que uma aventura.Roubam-me os sentidos, tiram-me (quase) o folego, por tantas solicitações.
Apenas não me extresso por ter um longo treinamento anti-stress, e uma cotidiana prática de apagar os possíveis arquivos de informações inúteis que rolam por aqui pelos arredores do Rio de Janeiro e suas montanhas.

Pois é isso mesmo. Me esqueci o quanto a cultura carioca é extrovertida, o quanto as pessoas ficam mais em torno dos dramas do que das alegrias, e o quanto as novelas ocupam tanto espaço e tempo das pessoas.
Parece não haver espaço pra outras coisas. Quer dizer:há sim, mas há que ficar em torno da pauta central que as novelas de alto ibope ditam.
Isso sem falar na febre tersã desse tal de big brother a revelar pra meus olhares dee espanto, quanto ha de voyeur por ai.
Eu, que nao aprecio a tão em voga fofoca, as leituras mal digeridas de tantas revistas em torno de celebridades, de todas essas distrações fabricadas pra deixar todo mundo fora do foco essencial da vida, fico praticamente sem interação de fato.
E haja paciencia pra ouvir tanto assunto que não é nada -a meu ver é claro- e tanto drama e especulaçao em torno da vida sexual alheia.

Antigamente, me dava ao luxo de constatar, agora nem isso faço mais.
Nao dá pra passar por cima, mas dá pra tirar umas fotos e depois rearranjar os arquivos em minhas pastas pessoais.

Ainda me surpreendo com essa interação osmótica onde todo mundo se mete na vida de todo mundo- familias entao, com suas eternas desculpas sempre dramáticas sobretudo, é da ordem do dia.
Observo que as pesssoas se sentam 'a mesa pra comer e junto dos molhos das saladas, trazem todos os dramas dos personagens presentes ou ausentes, como se fossem solucionar algo, sem notar que andam engolindo sapos com coca-cola e engolem sem mastigar.

No mais, respiro fundo, procuro contemplar a paisagem e nao emitir nenhum som. Opiniao?pra que? ninguem quer ouvir nada so falar e se queixar ate se levantar da mesa pra pegar o cigarro e começar outra ladainha pra gerar outro drama até a hora do lanche.

Olhos nos olhos, presença real, interesse pelo aqui e agora, parecem estar fora de moda. Agora ,doença, preço de remedios, tratamentos varios etc, esses entao vigoram nas pautas de conversas isoladas cheias de ganchos neuróticos e muita falta de tudo que é básico.

Meu povo anda doente e nem sabe. Em nome de contagem de pontos excluem da avenida os baluartes de uma escola tradicional como portela- num gesto modernoso e totalmente desrepeitoso com aqueles que sao a raiz da escola.
Vejo muita tristeza detraz das fantasias e um enorme e dispendioso esforço, inutil até, eu diria, pra manter as aparencias. Que como tal, sempre enganam.
E quem é que quer saber disso?
Sei não.

Sandra Paes - 03:43 PM CST [Link]