Sábado, Março 1, 2003
Conservar a inocencia
Como? nos tempos de agora- essa outra ilusao no pedaço de historia que nos abarca- onde, ao que parece domina um dos cavaleiros do apocalipse, ainda insisto em preservar a inocencia.
Loucura? fuga? ingenuidade? quantas interpretaçoes possíveis!
Fato é que, para mim, a inocencia é uma espécie de guardiã. Protetora em si mesma do que existe de mais sagrado,e por que nao ousar dizer, o link necessario para a vida e seu melhor.
Nao, nao tenho medo de guerras.Nem sofro pelo que se espelha nesse momento. Sinto apenas pela parca oportunidade de expressarmos e vivermos no espaço da inocencia.
Tudo isso me veio revelado como um presente raro, pelo olhar de um bebe, sentado no carrinho, enquanto a mãe pagava as contas no supermercado.
Ele me olhava profundamete, com aqueles olhos limpos e totalmente puros, sem nada dizer e tudo revelando ao mesmo tempo.
Sinto saudade do olhar dos bebes, nao importa aonde. E sinto falta disso nos olhares dos adultos tambem.
Olhar o mundo com o olhar de um bebe foi sempre um "müst"para mim,como referencia de localizar a verdade, depois de aprender todas as linguas e seus julgamentos.
Ter o privilegio de ter um bebe me contemplando por alguns minutos, me dá a gostosa sensaçao de nao estar so, e mais do que isso, o direcionamento necessario que a inocencia me anuncia.
Nao perder o rumo, nao deixar que os selos malevolos do mundo cubram a pureza que de fato existe e é o que nos sustenta no eden interno.
O mais, é apenas o resto que sobrou da expulsao do paraíso, que graças a Deus, resta intacto no realm dos bebes, que ainda vivem, mesmo dentro de nós.
Cadê o seu?
Sandra Paes - 05:41 AM CST [Link]
Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003
Pessoas que mentem
Temos várias versoes sobre mentiras. Das coloridas, branquinhas, listadinhas, etc, até as "ditas"imperdoáveis.Por que esse tema, agora?
Depois de conversar com diferentes pessoas e ouvir de forma direta a preocupacao e angustia sobre a guerra provocada pelos USA, constato que todos ficam estupefactos com um mesmo fato: como isso é possível em 2003, e como esse pais "care"tao pouco sobre o mundo, e as consequencias disso pra todos, etc..
Em meio à evidente confusao mental, uma boa dose de indignaçao, cada vez cresce mais a revolta e o ódio interno- que eu chamo o campo propício pra qualquer guerra.
Nisso vai uma enorme frustraçao delimitada pela impotencia que as pessoas parecem sentir diante do fato, aparentemente concreto que um homem é capaz de ter nas maos a capacidade de gerar tantos transtornos pra tanta gente, e nao ouvir ninguem.
Blas, blas, de ca e de la,me ponho a refletir sobre tudo.
Em jogo a legimidade da delegaçao de poder pelo voto. Depois disso, a permissao de delegar por omissao e ambiçao, o poder de compra depositado pelo dinheiro.
Verdade contundente é que faz muito tempo as pessoas fazem qualquer coisa por dinheiro, e o "sideefect"do capitalismo selvagem, pegou a todos os "inocentes"pela vantagem de se confundirem com sua imagem composta de luxo e adereços. Faz parte da introduçao desse blog, e da abertura dessa página, o statment que nos deixamos levar pelas marcas, pelas aparencias, e no fundo estamos todos lutando e querendo intimidade, e nisso vai a necessidade de buscar a verdade, nao de camufla-la, com mentiras várias.
Ainda essa semana, o mundo ficou sabendo que a "guerra" está comprando seu modo de acontecer, e os territorios vizinhos do Iraque cederam suas zonas de terra pra base militar americana por uma enorme quantia de dinheiro.
Nao é isso que vem ditando o mundo, na verdade?
Queixas sobre poder paralelo, aqui e acolá, indignaçao e projecao de um culpado, sem olhar na essencia,onde de fato permitimos que a luxuria se instale e as trocentas mentiras que nos contamos em nome de comprar dezenas de ilusoes. Da forma fisica como maneira de conseguir atençao e "amor",até as escaladas abruptas, sobre os ombros alheios pra ter o gostinho efemero de sentar numa cadeira de orgulho e poder, tudo temporario e vazio, mas altamente sedutor, o que permeia a gama de energia belicosa etc, que hoje sustenta toda essa violencia em todo o planeta.
Quem é que de fato abre mao de suas fantasias e contos perversos, e opta por ouvir apenas o que o coraçao diz, nao o que a ilusao do momento nos força a falar e fazer?
Se cada um fizesse de fato um exame de consciencia, considerando que ainda ha um numero razoavel de pessoas com a consciencia ainda limpa, poderiamos sim parar essa guerra e outras, por que nao deixariamos margem de energia, ou campo propicio pra que isso ocorra.
Mas, a omissao, acrescida com a "culpa"é do fulano ou beltrano, parece nos isentar de nossa responsabilidade. E reina a hipocrisia. A mesma, que ao que parece, elegeu Cezar e condenou Jesus.
Qual a diferenca mesmo?
A meu ver, tempo é apenas uma dimensao de nossa mente ou da forma como queremos perceber as coisas.
Tudo está encerrado em um jogo simples chamado livre arbitreo, instalado como um software dentro de nos, que usamos como sendo uma desculpa comum, pra seguir a maioria. Conceito que nem siquer temos claro, mas que nos dá a falsa aparencia de pertencer ou de estarmos seguros.
Que contos nos dizemos ou sustentamos em nome de proteger nosso cantinho e nossos segredos vãos?
Ao que parece o ser humano ainda nao aprendeu a distinguir que nao ha a tal da vantagem proposta nas barganhas. TUdo isso faz parte do jogo perverso do pai da mentira, e de jogo em jogo, vamos nos confundindo e procrastinando o que é realmente necessario.
Dizem que a verdade doi. Eu nao acredito nisso. O que doi é constatar que somos aliados da ilusao e da mentira e que compomos com ela.
A verdade so vem pra nos mostrar essa aliança. Nada mais. E nos dá a chance de nos libertar, se realmente quisermos.
O mais interessante é que o povo que mente, continua fazendo o mesmo script como se isso fosse o que é legitimavel, e vai desde blefar nas eleiçoes de urnas, até a blefar nas relacoes sexuais e familiares.
Ou paramos o blefe, para nao abrir campo pra combates entre a verdade e seus aparente opositores, ou continuamos em denial, dizendo que nada podemos fazer, por que os que tem dinheiro tem mais poder pra tudo.
Isso é ou nao, depositar no dinheiro o poder que ele nao tem, de fato?
Nos inventamos o dinheiro, seu poder de compra e venda e com isso a corrupcao da consciencia humana.
Trocamos a limpesa da vida, a beleza da natureza, por um bom punhado de dolares, e poluimos nossas casas, inconsequentemente, e ainda queremos culpar aqueles que, por interesses pessoais, demos poder de nos representar e nos governar.
Na mesa, como aposta, a legitimidade da tal democracia= governo do demo, e nossa estupefacta face de denial diante disso.
Checar a conta das mentiras pode ser um bom começo, e provavelmente, a resposta pra mudarmos o destino de nossa historia.
Quem vai nessa?
tsc! tsc! tsc!
Verdade?!
Sandra Paes - 12:37 PM CST [Link]
Quinta-feira, Fevereiro 27, 2003
Comun-action-issue
Percebo que crio palavras. Essa é uma delas. Mais pra sintetizar o tema.Around silence and action, an issue. Nothing seems to be comun. Here, there, everywhere, parece, perdemos o senso do comun. Seja o senso, o bom senso, a açao em comun. Ai, a comunicaçao vira o começo de um desastre. Fagulhas que espalham ira, frustraçao, desentendimento, ausencia de conexão.
What a hell is happening?
Sinto no ar o cheiro de incendio, como se ja identificara o fogo e este sempre começa com uma fagulha. Presença estranha de uma interferencia quase nao identificavel...Impaciencia no ar+ expectativas quaisquer de estranhos desejos serem imediatamente satisfeitos+ um não qualquer= a fórmula pra comunication issue.
Os desejos e quereres parecem mais exacerbados nesses tempos de guerra no ar, loucuras varias conduzidas em nome de uma segurança global que nao existe, por que nem faz parte de um desejo.
Paz é inerente a nossas mentes e coraçoes quando ousamos vive-la, e está dentro de nós, em segredo e safe espace. Nao la fora, nas vitrines e nas repressoes de todas as ordens.
Parece que o diabo vive seus dias de gloria, catucando todos, criando ou tirando vantagem de nós que ainda brincamos de culpar o sistema e o outro ao inves de olharmos dentro, qual nossa real atitude e pensamentos.
Nunca vi tantos cenarios fundados em mentiras e nunca vi tanto denial junto. O fingir que nao se ve, a composiçao perversa em torno do"nao sei do que voce está falando", a vergonha e o medo como base comum em todas as circunstancias.
Coragem pra enfrentar a possivel fraqueza, o possivel medo de ultrapassar a cortina de fumaça- ilusao que guia nossos egos inflados de vontades e podres poderes-parece faltar.
Nos escudamos atras de um novo medo: o de sinalizar nossas responsabilidades, nao como deveres, mas como medida cautelar de possiveis consequencias em torno do que pensamos e achamos que fazemos.
Sinto uma massiva impulsividade e uma furiosa presença animal nesses seres que habitam o planeta e se dizem serem apenas humanos.
Até isso parece ter se tornado uma outra possível desculpa.
Todos os quereres muito exarcebados e muita busca de cumplicidade pra sustentar isso.
Quem é que olha pra coerencia ou a simples questao: isso ou aquilo se faz necessario de fato?
Parece que todos escolheram de um só vez, impor o pequeno ditador: I want because I want and has to be now!
Conclusao? ninguem se entende e todos explodem. afinal, quem foi mesmo que disse que o outro tem que atender a demanda de meus desejos e emergencias desenfreadas?
Onde estamos? O lugar parece nao ser o mesmo, estamos transformando nossos cenarios em campos de batalha de todas as formas.
E incentivo pra isso é o que nao falta. E a midia está ai mesmo pra insuflar o drama e o medo nos inconscientes e conscientes de todos.
Poucos nao reagem, muito poucos realmente nao sao atingidos, e nessa messe, faltam os lixeiros= contratados cosmicos pra limpar o astral,,que nao tem hora pra começar nem terminar seus trabalhos.
E voce, ja fez sua faxina interna do dia?
O que está esperando?colabora, vai?!
Sandra Paes - 08:04 AM CST [Link]