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Quarta-feira, Março 2, 2005

Sempre surpresa?


Acabo de descobrir que o programa de Oprah está passando aqui no GNT. Hoje a tarde vi algo que parece foi ao ar no ano passado, mas nao importa. Foi boa a surpresa, depois de uma noite insone em que a NET estava em manutenção- e eu tive que catar alguma coisa nos canais regulares e me deparar com uma barbaridade que nao era nada alem de abuso de gasto de tempo de TV.
Duas surpresas? nem tanto.

Me pego sem o olhar de bebe que sempre tive ao contemplar tudo, e isso quase que anuncia uma especie de envelhecimento- nao a vulgaridade usada para o deja vú, tantas vezes mal empregue, diante de meu proprio ar quase que indiferente e anestesiado face a situações que antes me indignariam.
Tambem ja havia me deleitado com o livro de cronica de Maitee Proença, e entre uma tosse e um engasgo- causados por alergia a cigarro e poeira- coisas muito comum no Rio, nada lamento, apenas constato.
Caminho pelo calçadão e nao posso evitar de analisar a sujeira das praias e das ruas e procurar fixar o olhar na paisagem e não nas marcas deixadas pelos homens- que apenas usam e nao respeitam a natureza.

Entao por que me chocaria com a estrondosa estatistica de abuso sexual feminino? ( uma em cada quatro garotas)- a relaçao de estupro com o feminino está visivel em todos os cantos, e ninguem quer siquer falar a respeito.
Minha garganta se confrange- um grito ali se paralisa e constato que a fumaça de onibus e cigarros nao é mais poluente pra mim do que os abusos 'a Deusa que recebo ao ir a qq lugar ou ver como andamos perdendo espaço real e legitimo.
Não estranho mais uma tusnami ou outra reaçao de furia da mae natureza- afinal, por ser mansa e receptiva, nao significa mesmo que ela nao tem consciencia e dignidade.E tenho pena dos homens que nada sabem a respeito ou pior, ignoram o que fazem contra a propria doçura e entrega de quem de fato nos nutre e sustem- as mulheres!

Vou curar essa garganta que nao espelha apenas minha gorge, mas reflete o nó atravessado de tantas e tantas mulheres que caladamente, apenas seguem um caminho de pedras, e ainda escolhem a depressao, a dor, a doença como opção silenciosa.

Não, não me surpreendo mais com os denials todos, que se multiplicaram muito nesse ano que estive fora, mas sei que ao me tornar uma com todas as outras, me uno em forma de cura aumentada, a esse segmento da vida que vem se contraindo, como uma mae num parto.
Apenas sei por que sei, que nova forma de vida virá ai.
Essa dor é apenas prenúncio. Mas, não tenho dúvidas, o parto será bem complicado.

Sandra Paes - 05:58 PM CST [Link]