Sábado, Março 20, 2004
Integrity
Já não basta citar o famoso "ser ou não ser"..isso ou aquilo...se não for inteiro, pleno, não serve.
Percebo que carrego essa exigencia ou requirement. É novo. Talvez. Faz parte de meu projeto felicidade. Até por descobrir que felicidade é o meio. E se assim não é, sinto que as "coisas"estão pela metade, no lugar do mais ou menos, no ritimo do vai se levando, empurrando com a barriga, e esses não são meus estilos, nem escolhas.
Sou uma mulher de paixões. Transito pelo tudo ou nada com muita frequencia. E ainda vibro na frequencia da paz. Mas há que ser intenso.Inteira.
Faz-me difícil saber ou conviver com a média, o morno, o vamos ver, o quase isso. Quando vou ao mar, não fico parada na beira da orla levando lambadas de pequenas ondas que espirram no rosto.
Gosto de mergulhar fundo e sentir as ondas sobre meu corpo.
E assim me conduzo na vida, nos trabalhos, nas relaçoes, nas criações.
Integrity
Acima, embaixo, por todos os lados. Assim me sei eu.
E como será que ele é?
Sandra Paes - 08:04 PM CST [Link]
Quarta-feira, Março 17, 2004
Madrugadas...
Gostava de cantar uma época, uma canção de Caetano que diz assim: - Madrugada chegou, o sereno caiu, meu amor de cansaço caiu nos meus braços, sorriu e dormiu...Eu não queria que amanhecesse o dia, que não chegasse a madrugada, eu só queria amor, amor e mais nada..."
Continuo gostando da canção, mas vive-la, tá difícil. Fica faltando o verso principal. Ou talvez modifica-la, por no presente e dizer que nao me importo que a madrugada chegue, que até espero que o dia amanheça, pois meu amor, nao caiu nos meus braços, não dormiu eu quero so amor, amor e mais nada...
Insones noites cheiram a marezia doce quando estamos curtindo um bom tempo. Se o sono se foi,e cupido nao vem me visitar, minha psique acorda,não anda pela casa, não assalta geladeira, nao fuma, nem blasfema. Minha psique é mansa, e sabe passar pela ausencia de cupido sem transtornos.
Sou do grupo que se dá ao luxo de ser inteira sozinha ou acompanhada e se regozija mais por compartilhar isso com alguem, quando acontece.
Acho que no calor minha cama fica mais vazia. Eu me expando e isso é complicado.
O coração quer fugir, viajar pra lugares mais frios e aconchegantes, buscando uma boa desculpa pra chocolate quente e cobertor de orelhas.
O calor me impulsiona pra espaços abertos e na noite isso é mais contido. Sobra a opçao de reduzir a temperatura do ar condicionado, entrar no faz de conta, pular os nada sedutores filmes de TV e saber que nessas horas o tempo se faz pesado.
Nao fará diferença uma manhã com ou sem sol. Não farei agora agenda pra ocupar o tempo daqui a cinco horas, me recuso a ficar escrava dos fazeres por que não escolhi de fato esses momentos nada principescos.
Sandra Paes - 05:44 AM CST [Link]
Terça-feira, Março 16, 2004
Inquietude
Me descubro. Reviro as cobertas. Há um calor no ar, que não é do ar. Esse, condicionado, está programado pra 21 gráus centígrados. Não é climatério. Mas um clima, com certeza. Entre sonhos e pesadelos, distinguo facilmente a mão solta na esperança pra projetar o dia de amanhã.
E esse, que no momento só existe no plano de meu peito arfante e essa inquieta madrugada, me revela o significado mais sublime de estar inquieta.
Sinto que preciso falar, me comunicar, visto que não resta nesse momento histórico, nada mais do que a fala como forma de expressão. Depois de passar dias bombardeada por sentidos impressivos, fico sobrecarregada e constato quenão sei download meu proprio ser.
Esse anda segurando a gravidade nas costas, no peito, nos supiros,e vez em quando dispensando o olhar crítico e sagaz, que sempre revelou a qualidade essencial de minha alma.
Sou contemplativa por natureza. Penso até que nasci no shabat, o dia em que Deus descansou e contemplou a sua obra. Ali me indentifico mais.
Mesmo quando criança, na fase mais ativa, sempre me percebi contemplativa.
O restar poderia ser meu verbo favorito. Acho a vida muito linda e penso há que se degusta-la pra se saber vivo. Caso contrario, passamos pelos controles de comportamento de uma sociedade que se diz libertadora, e ficamos apenas no discurso da produçao e da acumulaçao e seus derivados.
Me sabendo viajante desde sempre, comungo com Caetano ao dizer: - estou aqui de passagem, e sei que algum dia vou morrer.
E nem por isso me expremo mais nessa faixa de sobrevivente que nos impõe a máquina de fazedores a que somos submetidos como seres humanos=condenados a buscar o sucesso como dito de realizaçao de existir.
Que coisa mais absurda!
Percebo ai a razao de minha inquietude. Não bastasse a condiçao escolhida de ser só, e buscar a leveza sempre, mesmo que contrariando Millan Kudera, me dou o luxo da vida sim, não essa ditada pelas modas, pelas vitrines, pelo esforço de se jugar sempre pela altissima demanda de competiçao, pelo empenho de se avaliar pelo olhar o que deve ser certo e belo, sem ao certo se sentir como tal, mas sentindo tudo exatamente como vem, do cheiro do bobo de camarão na cozinha, a essa dor que atravessa meu plexo e me revela sentimentos que desconheço.
Gosto de framear inquietude.
Meu novo ticket pra outro mundo ou paisagem ainda não descortinada.
Que venha essa luminosa manhã com toda sua luz, que me desperta sem choros, sem soluços, apenas me acorda.
O que me espreita? o que me aguarda? não sei e isso é bom.
Sandra Paes - 07:28 AM CST [Link]