Quinta-feira, Março 25, 2004
Clareza
A obscuridade anda rondando meu pedaço. Vejo isso na mídia, nas falas das pessoas, nas atitudes e escolhas. Digo que é em meu pedaço por que tomo conta de meu território. Mas observo que ultrapassa meu território e anda invadindo várias fronteiras.
Logo eu, que gosto de clareza! E a tal ponto que dei pra acordar quando o dia amanhece, não importa quando fui dormir.
Fica parecendo que preciso daquele momento precioso pra "fixar"uma referencia de que a luz está presente, mesmo com dias nublados e cheios de vento.
Depois de alguns dias assim, me perguntei o que está acontecendo e percebi minha sede de clareza.
Há por aí uma onda, que nada tem a ver com o poder do silencio, mas com o poder da obscuridade, essa coisa que é usar a quietude como arma, o não falar como recurso de propaganda e poder, o deixar seguir como forma morna de não participar e não se posicionar.
O árquetipo de Poncio Pilatos se faz presente e imperioso e o tal de "eu não sei do que se trata"ou não tenho nada que ver com isso"ou "não sei do que voce está falando"parece ter entrado na moda.
Haja muro pra aguentar tantos em cima de...
Eu quero mais é que tudo desabe, levante muita poeira, e a verdade dos fatos venha à tona, pra que o dia aconteça mais naturalmente, e o meu território não fique tão invadido todos os momentos com tanta falta de clareza.
Haja faxina! E eu ainda sou do tipo que não deixo pedra sobre pedra.
E como brinquedo, tenho até lanterna de bolso, em forma de bala de hortelã.
Os desavisados que se cuidem e saiam do armário por que estou limpando o closet!
Sandra Paes - 05:29 PM CST [Link]
Segunda-feira, Março 22, 2004
O saber do silencio
Tenho tido uma enorme necessidade de estar em silencio. Isso não significa necessariamente o voto quase religioso de parar de falar com as pessoas. Trata-se de um estado novo de consciencia e percepcao. No meu caso, um força imperiosa.Assisto maravilhada ao que se passa e respeito essa vontade profunda que brota do meu ser.
Há dias começo a receber os frutos dessa jornada. Pode ser coisa da semana santa, pode ser a chegada da primavera anunciando nova vida, pode ser nada disso. Fato é que de certa forma mágica e extraordinária, todo o conhecimento que andei adquirindo e armazenando por anos, começa a ser re-arranjado, me revelando o cenário por detrás de todas as coisas.
Outro dia, me mandaram um entrevista sobre asatrologia que se passou num programa de TV. Li, muito rapidamente,os parágrafos, como quem passa pela esquina da propria rua, tantas vezes, sem notar direito como faz a curva.E em silencio, percebi que um novo pop-up veio em minha direçao revelando os segredos que meu silencio arquivara sobre todos os tempos.
E de repente, significados tais como sol em casa dois, ascendentes cancer etc, surgem como um filme histórico, mostrando um projeto básico de nascimento e a possível jornada de transcendencia que poderíamos fazer, se fossemos capazes de viajar além dos limites do conhecido e pre-estabelecido.
Soa estranho? pois é. A principio tambem achei.
E foi assim com conhecimentos de geografia, história, matemática, química etc.
O silencio, dizem é de ouro, e passo a ter razoes maiores pra sabe-lo.
Há sim um saber que amadurece dentro dele, como se fosse um molho especial pra pimenta, que precisa estar lá, esquecido, por meses, talvez, até que o aroma e o sabor se façam totalmente presente.
Olho para as crenças religiosas e compreendo os apegos de raízes e os medos coletivos de independencia real.
Olho para os colonizados e suas bagagens em busca de que tesouros ou alcances e constato que muitos ainda estão prisioneiros ou apegados ao movimento dos pioneiros.
Olho pra todos nós e vejo como tantos ainda confundem suas jornadas de vidas com os sonhos que os pais projetaram sobre seus filhos.
E nessa roda lenta da vida, esquecemos de nos despir dos programas e apenas escutar sem julgamentos todas as falas e trilhares de formas pensamentos girando em torno dos mesmos temas: todos previsiveis na roda das encarnaçoes.
Sair dela requer um mergulho no silencio. Lugar da alma que as vezes clama em dor que precisa libertar-se de qualquer rótulo para apenas ser. Sem nada a fazer.
Sim, essa é sem dúvida a estrada menos transitada.
A outra, a que requer, aplauso, avaliação de desempenho, pagamento, recompensa ou premio, puniçao e culpa, ou coisas que tais, fica à merce de vozes de todas as ordens.
No silencio a verdade se depura e com ela, sem dúvida, vem a liberdade.
Não, nenhum constituinte sabe disso. Como?
É so ver o comum jargão de controle dos discursos políticos e suas vãs cezarianas de renascimento e ordem.
Sandra Paes - 05:47 PM CST [Link]