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Sábado, Abril 24, 2004
long time... Long time no see you 'E uma expressão que se usa em ingles quando se percebe ou se constata a ausencia de alguem ao reve-lo. Ando sofrendo disso. Explico- ando desconhecendo as pessoas. Olho dentro de mim e não as reconheço. Talvez não as tenha conhecido, talvez, tenha mudado muito minha percepção, talvez passei a desgostar do que vejo, talvez, minha deficiencia visual física atingiu a da alma. E tudo se torna um grande talvez. Fazer o que? fico quieta. Peço o retorno do silencio interno. Oro para que as inúmeras imagens de cenas passadas, parem de rodar no filme de meu cineasta interno. Não olho para os papéis, não consigo assimilar os parágrafos dos livros e revistas, não consigo escolher uma comida na geladeira. Meu sistema está "frozen".
No fundo sei que gostaria de parar o sistema lá de fora. Esse que condiciona as pessas o tempo todo a serem máquinas de produçao, de exibição de feitos e ganhos, de conversas em torno de vantagens ou de doenças. Sinto saudades daquela companhia silenciosa que apenas fica a meu lado, contemplando junto o mesmo momento ou o mesmo cenário. Procuro internamente por momentos ou cenas onde isso possa ter se passado, como uma forma de escapar dessa pressão que me angustia o peito e me dá a sensação que minha alma quer ir embora desse corpo com visíveis sinais de cansaço. Paro. Respiro. Procuro ficar apenas ali. Paro novamente. Há muito tempo nao me sentia apenas. Tem barulho demais à minha volta. Tem gente demais tonta e perdida, bebada, drogada, procurando um bom sumo de vida pra sugar, tem mídia demais falando em guerra e economia, tem muito transito de automóveis e outros veículos, todos correndo rumo a um lugar que não é Passárgada. Sinto falta do lugar do poeta. Quero apenas dormir e poder sonhar, tal como um personagem de Sheakespeare. Acabo de chegar da cidade dos vícios e sinto saudade das minhas virtudes. Não, elas não foram embora, apenas não tiveram espaço pra estar em meio a tanta viciosidade. Perdi a respiração natural, e sei, por que sempre soube, que sou virgem de essencia e não posso viver sem essa força. O resto, nem consigo entender, queima minha cabeça e atropela o sentido regular de funcionamento de meu cérebro. Não tive tempo histórico na barbárie e com certeza ela ultrapassa minha compreensão. Sem ela, vivo em baixa, sem animo e anima, sem esperança, sem presente, até. Nem sou urso pra poder hibernar, mesmo que seja primavera...
Sandra Paes - 09:06 AM CST [Link]
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