Sexta-feira, Maio 2, 2003
Medidas
Acordei com uma medida na cabeça. Brincadeirinha. Uma música ressoava enquanto fui fazer o café-de-cada-manhã.
"Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim... não me valeu, mas fico com o disco do Pixinguinha, sim, o resto é seu".
Em hora de separaçao, parece nao haver medidas cabíveis. Escolhemos algumas,nem que sejam as do Bonfim, por que na verdade, parece passamos a vida inteira aprendendo sobre separação.
O que é isso? o insight que tive so por cantarolar a música de Hime.
Não é curioso como nosso cérebro funciona? Não é interessante como aprendemos de formas tão diferentes? como ha sempre uma mensagem embutida num spam qualquer de uma dobra minemonica?
Eu acho que sim.
Trocando em miúdos, tema da cançao que usava ouvir em idos tempos no Rio de Janeiro, pop up, como se assim fosse, e me fala de nossa luta para aprender sobre separaçao.
De novo? sim, de novo. E separação parece ser um artigo ou um arquivo que roda permanentemente em nossas vidas. Encontros e despedidas- alias outra música- é a rotina de nosso caminho. Nos intervalos ou intermezos, as paradinhas e o "ficar", que parece, insistimos tanto em querer reter. ou esticar..
Mas, ora bolas, quem é que sabe mesmo a hora de partida?
Na vida, não há cartão de ponto, nem contrato fixo, com premios ou bonus por bom comportamento ou produtividade.
Quando chega a hora da despedida, o filho vai mesmo, o amor se levanta e bate a porta, o verão cede para a próxima estação, as férias voam, o domingo nem se despede e quando se olha, de novo já é quinta-feira.
Não, não penso que é coisa de tempo, é algo mais do que isso. É esse aprendizado que não acaba em torno do que é sempre finito.
Não seria esse o recado maior da mortalidade- eternamente enquanto dura e gente aqui esticando o quanto pode pra brincar de faz-de-conta que dou conta?
E inventamos medidas estatísticas, medidas kilometricas, medidas de peso e outras densidades, pra nao ter que encarar que a tal da leveza, como diria Kundera, parece ser insustentável...
Então, let's roller, and let it go!
Eu brindo a isso. Saúde!
Sandra Paes - 11:12 AM CST [Link]
Quarta-feira, Abril 30, 2003
Bons Ventos
La fora chove.Chuva gostosa daquelas que deixa o chao como um espelho, o ar leve, as árvores e gramado felizes, como quem saiu do banho.
Sinto o perfume de coisa nova no ar. Abro a internet e navego pelas notícias no Brasil. Bons ventos.
O coração se expande naturalmente. Boa essa sensaçao de um outono primaveril, bom poder sentir o peito aberto, cheio de esperançosa briza.
Exagero? talvez. Mas que seria ótimo poder abrir os jornais e ter a visao da vida como a que tenho aqui de minha varanda, tudo verde, presença de harmonia nas relaçoes entre pássaros e plantas, o silencio que proporciona a audiçao do canto de cada um, ninguem invadindo o espaço do outro, e tudo em perfeita composiçao, quase como num quadro dos tempos em que retratar a natureza era um reflexo do que o homem tinha de melhor no olhar.
Aguardo com alegria a reforma tributária e sinto uma felicidade única ao ver que as coisas saem do caos e entram na zona de conforto que tanto anseio: abundancia e harmonia.
Não é bom?!
Ah, se é! respire...
Sandra Paes - 01:54 PM CST [Link]
Terça-feira, Abril 29, 2003
Sem Buscas
Como seria passar um dia da vida sem buscar algo? Como viver sem expectativas? A cada dia a novidade de realizar um desejo, a mais ou de menos.
Ha quem busque perder peso, quem busque ganhar peso, quem busque ganhar pesos, e quem nao quer perder seus pesos. Todos em forma de bagagem, moeda, calorias, parece não importar tanto, olhando de fora.
O que percebo é a continua luta entre querer e o ter e o precisar perder ou não querer perder.
E saber que começa com essa instigante força manifesta em nossas mentes, fluindo de nosso espirito ou de nosso coraçao- who cares from where- ou as vezes até dizemos que o corpo pede...Em síntese é esse estar entre o desejo e a posse dele ou o que ele possa representar.
Talvez ai se localize o que se chama a experiencia humana.
Nascemos e ja ficamos carentes e cheios de desejo de alguma forma e entao, iniciamos a saga infinita de como saciar essa voz, essa fome, por vezes até iludida pela mídia que parece nos impingir estranhos ou raros objetos de desejo.
E enquanto isso saimos por aí à busca de algo, alguem, um momento de preenchimento ou de silencio, ou um break. como se isso fosse o que de fato nos bastasse.
E a fome progride, e em torno dela a ganancia, ou a ambiçao de conseguir mais, produzir mais, realizar mais, desejar mais, ter mais...homens, mulheres, filhos, casas, adereços, endereços, memórias de qualquer natureza ou ordem, nada importando de fato por que acabamos por perder o rumo ou o sentido da busca.
As vezes apenas a busca pela busca, a caça, o animal uivando internamente apontando sem discriminaçao pela presa, a vítima, o obscuro objeto de desejo.
Sim por que até nao sermos capazes de saciar a busca ela parece conduzir os anseios que muitos julgam sendo apenas apetites e quiça voracidades que todos sentem como imperiosas.
Como acabou o cigarro? como nao tem mais cerveja? como voce vai embora e me deixa aqui assim? como acabou?
E por aí vai, e por ai pensamos que vamos.
Será?
I doubt.
Sandra Paes - 08:02 PM CST [Link]