Sábado, Maio 22, 2004
A mágica da vida
Depois de acordar com dores no ombro, eis-me aqui na cozinha fazendo café e assobiando feliz"the man I love"..
Me pego cantando sem quem nem por que...Isso sim é mágica, o resto é conspiração de neuronios entupidos.
Por que mágica? por que não tem nenhum "man that I love", pelo menos que eu saiba, por aqui...
Não, nao sonhei com nenhum tampouco. Não que me lembre.
Sem querer explicar, é que o som da canção é realmente avassalador, limpante e renovador. Experimente assovia-lo! E depois, tem um glorioso dia azul lá fora e visto da varanda de minha cozinha, as árvores parecem me saudar. Isso sem falar que os pássaros cantam mais- aqui é primavera ainda, (thanks God!) e eu havia me esquecido disso...
A vida é ou não é mágica?
Ahnn! e eu que já gosto pouco de tudo isso, sinto uma enorme e gostosa onda que me envolve, junto com o ato de moer os grãos de café, sentir esse cheiro delicioso, pegar o "biscuit"italiano e sair em passos de dança rumo ao escritório.
Acrescento a isso um pouco de creme e chocolate na xícara, pra fazer um mocca, sabor de Toscana e renovação, talvez influencia quase longuinqua do filme"Under the Tuscan sun, que vi dia desses, atraida talvez pelos girassois que estavam na capa do CD.
Os detalhes só importam na composiçao gráfica de meus sonhos, esses, que quando regados por músicas, dias azuis e um bom café na manhã de sábado, me revelam de volta que a vida é mesmo um ato de magia.Ai que coisa boa retomar meu sangue grego e todo esse hedonismo. Valeu ter lido ontem um pouco de Platão!
Acredite se quiser.
Sandra Paes - 09:14 AM CST [Link]
Quarta-feira, Maio 19, 2004
Fora de foco
Sinto-me assim, no olhar, no coração, no caminhar, no ouvir, procurando-me pela casa, pelos cantos, debaixo do travesseiro, às vezes.
Faz tempo, ando sem lentes.
Meu olhar, outrora de lince, se esfumaçou. Já não sei dos detalhes, das nuances, dos objetos menores sobre a mesa ou canto qualquer.
Jä não sei mais onde estou nem para onde vou. O ritmo de viver parece ter parado, mesmo sabendo em algum canto de minha alma que pode ser diferente.
Ja não sei das horas, nem o relógio vejo.
Ah, o tempo, suas mediçoes...
Para que sabe-lo, pra que tanta contabilidade?
E há quem goste de todos esses papéis, todos esses extratos, todos esses saldos. Há quem procure focalizar a vida e seu passar pelas medidas várias que nos conduziram a ler, a codificar, a cobrar, a esperar...
Nah...
Ficar fora de foco é outro estágio da invisibilidade. Nesse, não há o silencio, mas um ruidoso chiado, que se impõe numa voz interior que mal reconheço.
Não me deixam dormir, não me deixam restar em paz, não me deixam sair do estado de espírito treinado, samurai de visão acurada, afiado como a propria espada, pronta pra cortar sem deixar marcas.
Nah...
De todas as formas de vida, diante do anjo da morte, que insiste em me rondar e eu nao o vejo por que estou fora de foco, ainda procuro meus pijamas...
Tsc~! tsc! TSC!
Aguardo, apenas, sem saber ao certo o que é isso...
Quem sabe, afinal?!
Sandra Paes - 12:32 PM CST [Link]