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Quarta-feira, Maio 28, 2003

As águas


Gosto das tempestades. Ha dias elas parecem me seguir. Me refiro a essa luminosa descarga elétrica que se transforma em tomertas, coisas de Iansã, diram alguns, explosão emotiva dos céus.

Sinto que gosto das expressóes emotivas, liberaçao das águas, todas suas formas. Que lindo é o fenomeno das lágrimas, que lindo o gozo, a corpo jorrando todos seus líquidos por todos os poros em tantas formas de jorros!
Ahn! as marcas de amor em nossos lençois- como diria Chico Buarque.

Ha dias chove e chove e minha varanda se transforma num lago, bem como o estacionamento. Olho fascinada pela beleza do pranto do céu. Quem disse que não pode ser chamado assim?Soa poético.

Acordo com sede. ägua, água, água...Dizem que somos compostos de setenta por cento de água. Ouvi pela manhã que todas as dores em todas as suas formas é uma espécie de desidrataçao localizada. A água transmite a energia chi, sem ela, não há comunicaçao entre tecidos e células.
Portanto, rigidez de feelings ou contracao de emocoes e sentimentos, atrai dores e paralisia ou bloqueio da energia vital circulando pelo corpo.

Olho os raios la fora e penso que nos céus, essa artrite não acontece. Quando ha, tem a seca, a desertificacao, a morte das plantas e todos os seres vivos.

Ah, as águas, abençoada força que cobre esse planeta e o faz parecer azul visto lá de longe.

Pelo sim pelo não, vou checar meu filtro de emoçoes- os rins- que trabalham e pulsam indicando como andamos regulando as águas em nossos poderosos e delicados corpos.

Mais que na hora de me livrar das pre-ocupaçoes- aquelas aranhas que prendem a circulação, pra qualquer um de nós.

Prenúncio de medo, de contração, de secura, de retraçao de toda ordem.
E vamos nós:- Ägua!

Sandra Paes - 10:33 AM CST [Link]

Segunda-feira, Maio 26, 2003

A toda


Acordei a toda...sei lá de onde vem essa expressao. Que importa? aliás o que importa tanta coisa? parei pra ver que importar tem a ver com trazer de fora, colocar dentro de nossas portas ou entradas, e depois de ter passado literalmente pelo olho do furacao no retorno de minha mais recente viagem,depois de dar de cara com a morte, por que atras de mim ela anda quase sempre, não sei se como aliada, ou protetora, como dizem os Toltecs, vi claramente o quanto venho me importando.
Fui procurar onde estava o me, e descobri que ele andava por ai, pra ver se ele encontrava a paz que perdera.

E é assim que se vai acumulando a importancia de tudo.
Saídas...debaixo da tempestade que me bloqueou a visao por completo, so restava duas coisas. Ficar com medo e parar o carro, o que tambem nao significava nada, ou seguir, rumo a desconhecido e sem nada ver. A segunda opçao me mostrou outra coisa: isso é a vida na verdade. Debaixo do oculto e do invisivel seguimos todos nossos caminhos, querendo controlar ou entender a estrada e o destino, ou tudo isso.
Saquei que não é pra nós. A coragem de saber que nada é claro, e ainda assim seguir em frente, sem saber ao certo onde era em frente, me pos noutro estado de percepcao- aquele onde a gente sabe que nada sabe.
Vi minha clara dependencia da visao e dos outros sentidos físicos e percebi o quanto usufruo deles quase que tao pouco, por que ditados pelo conjunto cultural que me impoe normas de sentir e interpretar- me lembrei do livro a Caverna e de tantas outras coisas que revelam a prisão onde possamos estar sem saber ao certo.

Volto pra casa sem saber qualquer coisa, apenas impulso e instinto. E foi bom. Claro que ouvindo a classica pergunta _ como foi sua viagem? me peguei sem saber responder ao certo apenas citando a experiencia de dirigir debaixo de um furacao.

Sabe o que? a partir dali, o que os outros pudessem dizer ou pensar, nao importava muito. Algo se passou em mim, sem dúvida.

Só hoje, quando acordei a toda, em pleno feriado, sentindo a vida pulsando e me empurrando sem saber pra que e pra onde, me dei conta que saíra do furacao e isso modificou meu caminho.

Nao tenho um e isso me libertou de certa forma. Agora nao pergunto mais aonde vai a estrada, diria o poeta na voz de Milton, e é isso aí.

Que importa? ou quem importa? se a vida é cheia de caminhos e saídas?

uau!

Sandra Paes - 08:09 AM CST [Link]

Pensando junto...


Imagino que vc esteja buscando...um caminho, uma saída, ou algo assim, talvez tentar entender, talvez nada disso, talvez um pouco de paz, talvez, um monte ou um pouco de tal vez...

Quantas vezes tem a vida? entao por que uma tal vez?

Por que será que nos apegamos a apenas uma Tal vez, uma tal pessoa, uma tal cidade, uma tal cena, uma tal perspectiva, uma tal saída, ou uma tal entrada?

Nao importa. Nao importa é a porta, por que toda porta é entrada e saída. Nao ha que ser apenas uma .

Vc nao acha?

Sandra Paes - 07:57 AM CST [Link]