Segunda-feira, Junho 14, 2004
Tarefas do dia
Depois de tomar o primeiro gole de chá desintoxicante, não dá pra não ver o anuncio que fiz pra mim mesma pra essa manhã: 2a.feira- tarefas: organizar a casa- papeis, contas, roupas.
Só depois do primeiro anúncio, já postado, vejo claramente que tenho duas casas, a de dentro, que precisa de um novo coração e a de fora, que precisa de arrumação.
E agora? o que priorizar? é tudo uma coisa só.
Uma casa sem coração, vira o caos, é ou não é?
E quem foi que levou o meu e não me devolveu?
Fica assim, que nem aquele livro que se quer reler um pedacinho tal, e cadê? vai ter que lembrar que "fulaninho"levou e não trouxe mais..
Ai, ai, ai...por essas e outras, não empresto nada mais.
Não é à toa, que já não recebo mais faz tempo..preciso arrumar as duas casas primeiro.
Ai, que preguiça! ai, que dor de cabeça!
Que sabotagem é essa?eu, hein?!
Sandra Paes - 07:27 AM CST [Link]
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quem tem dois coraçoes, me faça presente de um, que já fui dona de dois e hoje tenho nenhum...F.Pessoa
Peguei emprestado. Meu inconsciente, que me acorda com pressao nas temporas às seis e meia da manhã e essa frase girando lá dentro, me publicou esse anúncio hoje. Onde? no único jornal que leio= minha própria mente.
Agora, dor de cabeça, tipo choque elétrico nas temporas, a essa hora da manhã?quem é que aguenta?
Eu, hein?!
Isso é lá manchete que se apresente?
Ainda bem que passou...Vez por outra nos últimos dias essa dorzinha alucinante me ataca, tipo coisas de worloks, mandados com trabalhos específicos.
Nem vem que não tem, mas não mesmo!
Tenho dito.
Sandra Paes - 07:21 AM CST [Link]
Domingo, Junho 13, 2004
A idade sem razão
Dois? tres? quantos anos? Há um discurso invisível dentro de cada um, rodando sem parar, quase que definindo quando e como se tem ou adquiriu-se razão. Essa capacidade de distinguir, julgar,analisar e inferir conceitos ou defino-los com propriedade.
Isso se vai com o tempo, com as trocentas desculpas que nos damos diariamente, pra embutir essa ou aquela questão.
Da barriga literal, à barriga mental, o esquecimento aqui e acolá, o cansaço intermitente, a total falta de vontade de argumentar sobre o que deu errado, a quase ausencia de interesse legítimo sobre os atrasos e suas explicaçoes nada convincentes, etc.
E não tem coisa mais chata do que ter que ouvir como término de qualquer conversa:- voce tem toda razão.
Dia desses, sentada com amigos num café, depois de assistir ao lengendário Dona Flor e seus dois maridos, me dei conta, de repente estar cercada de gringos e ingleses que quase nada sabem de cinema ou cultura brasileira, e é claro a conversa passou a girar em torno de negócios, advogados, oportunidades financeiras e todas essas coisas que ocupam a mente, predominantemente, dos que se acham primeiro mundo.
Eu sonhava com uma muqueca de siri-mole, me recusei a falar de "real state"com meu broker que estava presente, e tentei focalizar os ouvidos num som de Jazz que vinha do andar de cima.
No mais, aquela zueira, aparentemente racional, e cheia de lógica, enquanto circulava pela minha cabeça o que seria a causa da doença de Alzheimer.
O mundo da razão é tão vasto e tão complicado, que me cansa ter que assisti-lo entre lentes esfumaçadas de meu sétimo sentido.
A tentativa de fazer sentido e se colocar com direitos e poderes é tão cansativa às vezes, que entendo os estágios regressivos cerebrais, como uma fuga quase que natural à idade sem razão.
Não dá mesmo pra perceber que viver não precisa ser todo esforço para parecer ser?
Quando é que a gente vai de fato aprender?
ah, ouvir estrelas..por certo perdeste o senso....
Gostaria de te-lo dito.
Sandra Paes - 08:59 AM CST [Link]