Thousands of brands, all kind of fashion,cosmetics,styles, stages, diets,competitors around beauty..we still strugle with intimacy, we are afraid to be naked... For how long?





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Ora, direis, ouvir estrelas...

Sim, houve uma época que escolhi ler e ouvir as estrelas. Queria melhor entender os homens, suas escolhas e suas encrencas..Tempos de estudos físicos e metafísicos, que mudaram o norte de minha mente, que passou a ter o sol e as constelações do zodíaco como referencia pra entendimento.
Ao contrario do que diz o poeta, nao perdi o senso, e por certo, ao ouvir estrelas, fiquei mais em paz com o todo e com tudo.
Hoje me pego por vezes procurando pela lua..vez por outra vou a varandar `a cata de Vênus ao entardecer..nao leio mais as efemérides em busca das posições de estrelas no dia a dia ou mesmo ano a ano, nao consulto mais os oráculos, nem falo mais sobre isso, mas percebo que as conversas em torno dos dramas editados pela televisão são cansativos, pesados e o que ‘e muito pior, nao trazem poesia.
Será preciso voltar a ouvir as estrelas pra transitar na linguagem maior dos poetas? Onde andam os seresteiros, os namorados? Será que Gilberto ao chama-los a correr, pra assistir a derradeira noite de luar estava certo? Será que o pisar do homem na lua, retirou de nos mais uma fatia do sonho e trouxe o peso da concretude, da busca de solo viável pra construir, maçarocar, cimentar tudo e depois ficar com cara de quem perdeu o bonde por que a natureza levou tudo nas águas?
Talvez esteja hoje apenas com saudade do pão doce português pela manha, no café com leite puro que usufruía na minha infância, a olhar para a mangueira que começava a dar frutos, numa cumplicidade rara, entre minha inocência e a beleza das arvores frutíferas.
Nao perdi essa qualidade, mas se tornou seco e terrível esses tempos onde a mídia so sinaliza em direção a crimes, torturas contra os pequenos e contra a natureza. Tempo onde o mais importante parece ser falar do fisco e dos rombos de todos os governos,das endemias e os descasos dos administradores públicos, e estrelas são essas forjas a quem chamam celebridade, e vivem a procurar seus defeitos, suas falhas humanas pra torcerem seus brilhos, com fofocas e julgamentos morais, em nome sei lá do que.
Da vontade de perder o senso, sim, e se essa vontade nao vem de forma lúcida, aparece em viés, tirando o sono e o sossego, ate pra me fazer perder a própria capacidade de sonhar enquanto adormecida.
Chamem a isso pesadelo, delírio, falta do que fazer..dêem o nome que lhes aprouver, mas se posso escolher, se ‘e verdade que assim vivemos prefiro sair do cimento.
Prefiro ouvir os pássaros ao amanhecer ao som tresloucado de buzinas de carros nas ruas, prefiro ouvir Vivaldi a esse bate-estaca, reprodutor das construções desenfreadas e causadora de mais crises econômicas e sonhos improváveis.
Gosto muito mais de tomar injeção na casa de Keyla e voltar com uma manga colhida do pe nas mãos, a ter que freqüentar a desinfeta sala de emergência de qualquer grande hospital. Parece conversa de maluco? Pois sim..se pudesse voltar a sentar na cadeira de balanço na porta de casa, so para ver o anoitecer, conversar com os vizinhos, trocando prosa solta, e de esguelha ver o céu estrelado que so Deus sabe, por certo nao teria tanto maluco de verdade por ai, solto, bandidando, em troca de ter mais grana pra comprar mais porcarias e brincar de chefe e líder, em cidades onde nao ha de fato nem chefe, nem índio, nem estrelas pra se ver, nem tempo pra contemplar, ate a cara do filho suja de tanto comer manga e goiaba, nem vontade de olhar pra ver se o marido de fato esta feliz ou presente de verdade.
Conversas sobre o tempo de viver, andar de mãos dadas, rumo a sorveteria so pra poetar, nao tem mais lugar. A avalanche de canais pela televisão digital a mostrar quase sempre o mesmo tema: fome, violência, destruição, e todas as odes dos cavaleiros do apocalipse, tomam lugar nas salas, nos quartos e nos diálogos entre as pessoas- essas que perderam o senso e se julgam sabedora “ da ultima” e se acham cultas e atualizadas..
As praias deixaram de ser um lugar de contemplação do sol- que se tornou mais inimigo do homem do que a fonte a vida, segundo os cientistas e outros afins- e de caminhadas a beira mar. Deixou de ser um lugar de encontro para descanso e passou a ser um tumulto de gente e automóveis por todas as partes, cobertas e vigiadas pelo medo de roubos e atropelos.
E eu digo: como manter o senso e ouvir estrelas?
Sobrou o silencio da minha alma, que por vezes me acorda assustada por me saber ainda aqui, nesse mundo de loucos fora do manicômio e eu , quase prisioneira desse quase que, como diria outro poeta que tudo sabia sobre desassossego.
Ai que saudades de Bilac e Pessoa!
Ai que saudades dos tempos de inocência e confiança. Talvez , naquele tempo que desavisadamente tomava meu café com leite na cantina e cheia de vida e sonhos esperava pelos “ internos” do Pinel , aparecerem, com certeza sabia a diferença sutil e clara entre os “ ditos “ loucos e os sensatos.

Hoje, sensatez passou a ser sinal de loucura e evasão e loucura passou a ser a moda presente nas baladas, nas ruas das grandes cidades e na procura desenfreada por uma boa barganha so pra mostrar que se pode ser esperto e ate se ganha de presente uma outra muda de roupa ou acessório pra encher mais o guarda- roupa de tanto guardar tudo que de fato nao se precisa, nem tempo tem pra usar nem degustar. Pra que? A correria, que um dia foi em torno de pisar na lua, agora gira em torno de pisar na rua e no outro, que nem se vê, nem se sabe mais, ate por que, sem estrelas , a navegação deixa de ter brilho e aventura, e sem elas, somos apenas peças perdidas nesse imenso

Sandra Paes - 07:56 AM CST [Link]

Quinta-feira, Julho 10, 2008

Trabalho


Ando `as voltas com o trabalho. Sim, o substantivo mesmo..o que ‘e isso de trabalhar? Virou moda. Classificam-se pessoas em função de sua profissão. Os que tem e os que nao tem. Os cultuados bem sucedidos e os ditos excluídos por que nao tem profissão definida, nao fizeram carreira, nao fazem fila de espera na lista do imposto de renda, nao podem ter acesso a bens de consumo, nao conseguem credito pra comprar, pra morar, pra serem vistos, pra tudo o mais..
E ai vem a subjugação ou julgamento secundário: seu trabalho ‘e legitimo? Você tem carteira assinada? Tem reconhecimento publico pelo que faz? Tem remuneração decente?
Ou nao?
Se sim, você já começa a ser bem aceito em qualquer roda de conversa, de bares a entrevistas, de possíveis conquistas amorosas, a outras aventuras na orla da sexualidade ou do bem estar de forma geral. Agora, se você nao ‘e trabalhador, ou assim nao ‘e classificado, você esta fora da ordem, da aceitação possível na ordem dos humanos de agora.
Depois da revolução industrial, do estabelecimento do salário, da conquista da venda da hora de produção , do programa de dedicação com direito a aposentadoria, a saber, receber um salário como premio por ter trabalhado um mínimo de 35 anos, se você nao produz algo reconhecido como trabalho aceito e pago, você nao ‘e ninguém.
Nessa lista se encontram as donas de casa- com hora pra começar, sem hora pra terminar, as mães, com horas afinco de dedicação e louvor e nenhum tempo registrado de reconhecimento ou remuneração ou aposentadoria. Mãe e dona de casa nao tem ferias remuneradas, nem salário extra, muito menos aposentadoria. Dizem que a profissão mais antiga ‘e a da prostituta, por que ao que parece, essa recebe algo, algum troco, mas a outra, a do lar, essa so recebe cobranças e presentes em dias de feriados e muita, mas muita reclamação se nao comparece todos os dias com bom humor e dedicação extremada.
Ai, a mulher resolver acumular funções e trabalho: pare, toma conta da casa, cozinha, fiscaliza, protagoniza a amante devota e disposta, e ainda arruma emprego fora, com direito a carteira assinada pra um dia, quando se aposentar, sustentar os netos ou os genros ou as noras e ainda educar a todos e dar conta de fazer bem feito , por que senão, a conta do analista e do psicólogo e do vendedor de drogas, aumenta, e muito.
Então, o que ‘e mesmo essa coisa de trabalho?

Tem gente que fez carreira como presidente de sindicato de trabalhadores pra virar governante do dinheiro publico e do destino dos trabalhadores- os sem carteira assinada, sem pagar imposto de forma declarada e todos carentes de educação formal pra se tornarem trabalhadores cadastrados e pagantes de impostos, e todos os outros, que se sentem privilegiados por terem profissão, emprego, horas de tempo vendidas e a sensação nem sempre bem paga de ser um servidor do trabalho. Nao importa muito bem o que seja, nem se ha alguma satisfação alem do salário nisso tudo- mas pelo menos tem o tempo ocupado e a graça de poder gastar o dinheiro ganho com esforço em coisas, algumas coisas , ou muitas coisas, que um dia ficam sem lugar ou sem sentido. E na roda vida de nao parar e continuar produzindo, vai-se acumulando.
De valas, e lixos nao degradáveis, a toda e qualquer falta de tempo pra dar atenção a pessoas, gente da família ou outra gente qualquer. Tempo pra ouvir os pássaros, prestar atenção ao sol ou a lua ou estrelas, so pra poetas e desocupados. Quem tem que trabalhar nao tem nem disponibilidade nem cabeça pra essas coisas “ sem sentido” .
O sentido esta todo voltado pra produção, pra edição, pra correr atrás dos fatos, dos preços das mercadorias, das portas dos comércios de mais coisas pra serem vendidas e mais gente pra comprar mais e mais, pra se entupir de tudo e mais um pouco e depois trabalhar mais, pra ir pra ginástica perder peso, pra ir pro medico fazer uma revisão pra ver se esta tudo em ordem pra continuar trabalhando e pagar mais despesas, especialmente aquelas nao programadas..

E tome de trabalho e produção que a vida ‘e feita de esforço..e eu me pergunto ‘e mesmo?

Concordo com isso nao...em coisa alguma. Correm tanto pra ficar no engarrafamento produzido por automóveis que são fruto de trabalho e consomem gasolina, fruto de trabalho, que retira da terra o óleo acumulado em anos pela natureza, pra se retirar em fumaça no engarrafamento que nao pode demorar tanto mais senão você perde a hora e com isso perde o trabalho.
E volta-se de novo pra roda viva do trabalho. E isso virou um mote tão continuo que as conversas e apresentações giram em torno de” em que você trabalha” ou onde você trabalha? Pra inicio de conversa. E ai tiver algo em comum a conversa pode render, um chopp, ou um outro encontro, quem sabe um jantar, quem sabe uma caminha ou um caminho novo..Novo? sim, ha a discussão do trabalho em comum ou o que se faz pra viver e como gastar as horas livres, que são duas ou três, pra se recompor energia pra se voltar pro trabalho. E tudo se justifica ai.
Amanha? Nao vai dar..tenho trabalho..
Agora? Nao posso, estou no trabalho..
Esse cara? ‘e apenas um colega de trabalho..
Essa dai? Ah, ‘e lá do meu trabalho..

E assim esse senhor, sem idade e com milhares de caras, tomou conta de tudo..E o que se explica e se justifica em nome dele, sei nao..da pra chama-lo de qualquer coisa..de-lhe o nome que quiser, mas fato ‘e que tem gente confundido identidade com trabalho.

Me lembro do rapaz que conheci na reitoria, e se apresentou como “ eu sou fulano, engenheiro, mas desempregado”..
E eu pensei: - e dai? O cara voltou pra escola por que nao tem emprego como engenheiro e tem que fazer alguma coisa pra passar o tempo, ou matar o tempo?

Pois ‘e..tem gente que se nao matar o tempo, ou passar o tempo produzindo e sendo remunerado por isso vai matar algo ou alguém..
E ai, em meio a tudo isso aparece a industria da droga pra dar mais gás pra quem vai trabalhar, ou ta de saco cheio de tudo isso ou nada disso..E de droga em droga, vai-se embotando o período de tempo que se tem na vida adulta, por que na infantil ha que se estudar pra ser um trabalhador quando crescer..Mesmo que você se torne um jogador..mas tem que ser profissional..

E depois dizem que ditadura do proletariado ‘e coisa de comunista. E existe alguma gleba humana que nao ‘e comum? Que nao faz a mesma coisa ou nao segue o mesmo programa?
Qual ‘e mesmo a ordem do dia? Ir pro trabalho, bater o ponto, fazer bonito, se sentir orgulhoso disso, voltar pra casa, agradecido, tomar um banho e ver TV, que vai ser trocada por um novo modelo quando o dinheiro aumentar..e olha so que casa bem decorada eu vou ter..so mais uns meses de trabalho e a grana entra e eu troco de carro e vou mais feliz pro engarrafamento de amanha, mas tudo bem por que na outra semana tem feriado e a fila vai ser so pra sair da cidade e chegar na praia..chegando lá a gente vê como ‘e que fica...

E tudo isso so existe por que tem trabalho pra todo mundo...ta esperando o que pra fazer o novo concurso do mês? Pagam um bom salário e tem estabilidade, viu?

Afinal? O que você tem contra o sonho de um trabalhador?
Ano que vem vai dar pra viajar pro exterior..vou comprar tudo que ‘e novidade e posso ate te trazer um presente importado..ta pensando o que?

Eu trabalho, ora bolas!

Eu?- Nao consigo acreditar nessa produção humana, essa fabrica de desejos sempre adiados e essa industria sem escala de encarnação e reencarnação de tudo por que nao sabemos como parar nenhum vicio, especialmente os justificados e aceitos pela maioria..’e ou nao ‘e?


Sandra Paes - 07:51 AM CST [Link]