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Pescaria


Sem que nem mais, pensei em meu amigo pescador nas horas vagas se justificando ao telefone:- “ quando vou pescar, vou so. Trata-se de um ato importante e único pois nesse momento nao posso dividir minha atenção . Apenas me concentro na possibilidade de tirar um peixe da água” .

Me sinto assim. Com a diferença que nao estou indo ao mar, nem tenho molinete, nem penso em pegar peixes, mas esse estado de pescador de plantão, veio e se instalou faz tempo.
Alguns me chamam aqui ou acolá. Algumas sugestões de trabalho, todos a pescarem do cardume de minhas idéias, e conhecimentos adquiridos, fruto de estudos, vivencias e maturidade, como se tudo isso fosse apenas um peixe que se retira da água, num momento de sorte ou oportunidade. Quero eu ser pescadora de mim dessa parte guardada nunca antes mergulhada, nem por escafandristas, nem por curiosos sem regra- coisa rara hoje em dia.

Talvez queira e nao saiba como tocar esse mistério silencioso e profundo. Tanto quanto as águas abissais que pressinto ando a navegar. Me sei peixe e quero ser pescadora. Que dilema. Na falta de um pescado ou um pecado que me arrebate, vou seguindo assim, com papeis sobre a mesa, sofá, escrivaninha, todos os lugares a exibir de forma contundente que estou em ritmo de desordem e negação do espaço onde me encontro.
So quero saber das aulas de qualquer tema que saem linda e levemente dos versos de Chico, andarilho do mundo a me arrancar raros suspiros e muitas vezes falta de ar- prenuncio de encanto e medo, iscas fatais .
Uma vontade começa a se esboçar e me permitir entrar no espaço de anseio: quando foi que permiti que você fizesse parte do meu desejo? E quando foi que me tiraste de seus sonhos?
A busca do encontro me esmaga denunciando um longing que nao se vai, ou sou eu que nao aceito a forma furtiva e tosca como os meus se sucederam. Seja como for, a pausa entre a invisibilidade e o amanhecer no território alheio, me confundem a visão, bagunça a percepçao possível de meu espírito e me faz querer dormir pra nao ter que sonhar acordada.

E lá fora, todo aquele mar, que nao ouso por os pés desde antes do verão. Talvez o tempo dos amores de verão tenha me passado, tanto que nem me vejo nessa faixa de areia, nem nas borbulhas que ele representa.
Que vida ‘e essa que anseio ou busco viver apenas na espera?
Isso 'e ou nao coisa de pescador?
De pecador, com certeza, nao ‘e.

Sandra Paes - 05:54 AM CST [Link]

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Pescaria


Sem que nem mais, pensei em meu amigo pescador nas horas vagas se justificando ao telefone:- “ quando vou pescar, vou so. Trata-se de um ato importante e único pois nesse momento nao posso dividir minha atenção . Apenas me concentro na possibilidade de tirar um peixe da água” .

Me sinto assim. Com a diferença que nao estou indo ao mar, nem tenho molinete, nem penso em pegar peixes, mas esse estado de pescador de plantão, veio e se instalou faz tempo.
Alguns me chamam aqui ou acolá. Algumas sugestões de trabalho, todos a pescarem do cardume de minhas idéias, e conhecimentos adquiridos, fruto de estudos, vivencias e maturidade, como se tudo isso fosse apenas um peixe que se retira da água, num momento de sorte ou oportunidade. Quero eu ser pescadora de mim dessa parte guardada nunca antes mergulhada, nem por escafandristas, nem por curiosos sem regra- coisa rara hoje em dia.

Talvez queira e nao saiba como tocar esse mistério silencioso e profundo. Tanto quanto as águas abissais que pressinto ando a navegar. Me sei peixe e quero ser pescadora. Que dilema. Na falta de um pescado ou um pecado que me arrebate, vou seguindo assim, com papeis sobre a mesa, sofá, escrivaninha, todos os lugares a exibir de forma contundente que estou em ritmo de desordem e negação do espaço onde me encontro.
So quero saber das aulas de qualquer tema que saem linda e levemente dos versos de Chico, andarilho do mundo a me arrancar raros suspiros e muitas vezes falta de ar- prenuncio de encanto e medo, iscas fatais .
Uma vontade começa a se esboçar e me permitir entrar no espaço de anseio: quando foi que permiti que você fizesse parte do meu desejo? E quando foi que me tiraste de seus sonhos?
A busca do encontro me esmaga denunciando um longing que nao se vai, ou sou eu que nao aceito a forma furtiva e tosca como os meus se sucederam. Seja como for, a pausa entre a invisibilidade e o amanhecer no território alheio, me confundem a visão, bagunça a percepçao possível de meu espírito e me faz querer dormir pra nao ter que sonhar acordada.

E lá fora, todo aquele mar, que nao ouso por os pés desde antes do verão. Talvez o tempo dos amores de verão tenha me passado, tanto que nem me vejo nessa faixa de areia, nem nas borbulhas que ele representa.
Que vida ‘e essa que anseio ou busco viver apenas na espera?
Isso 'e ou nao coisa de pescador?
De pecador, com certeza, nao ‘e.

Sandra Paes - 05:54 AM CST [Link]