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Segunda-feira, Agosto 4, 2003

BLEU, BLANC, ROUGE…

Dia desses me perguntaram:- como vc ve essa depressao no nivel coletivo? Como vc ve o que está acontecendo no mundo, com toda essa confusao de fé, invasao de territorio, essa marcha para um novo imperialismo?

Eu ja vinha mesmo pensando sobre o tema ja faz tempo. A pergunta veio por conta de uma conversa sobre a falencia do papel da familia, e a impotencia da psicanalise diante do quadro geral de perversidade e a ausencia de delimitaçao de limites, que vem acontecendo por conta de tantas coisas.
Tudo que consigo vislumbrar agora é o utopia surgida com as cores da bandeira francesa, quando a revolucao de 14 de julho, quebrando com o poder monarquico, propos o que seria a base ideal de um mundo novo, constituindo poderes a deputados e/ou representantes de localidades especificas, para que o sonho da liberdade, fraternidade e a igualdade, se tornasse algo tópico.

De la pra ca, mascara-se tudo isso como se pode. E assim como em nome do amor se escravisa e se mata, em nome da liberdade, se faz o mesmo, e sob a égide do delirio da igualdade, finge-se que nao ha a descriminaçao pelos rotulos fisicos e economicos.
Junto com tudo isso a omissao em rever os criterios com que a palavra é usada como força de lavagem cerebral, visto que é crença coletiva, que seríamos iguais, pelo menos aos olhos de Deus. Deus esse fabricado e inventado tambem por outro grupo de manipuladores e ditos representantes oficiais do divino, o que é outra loucura.
Assim, em nome da procuraçao do povo, pra se comandar o ideal da igualdade e distribuicao de oportunidades para todos, vamos seguindo escravos e submissos entre o sonho- que ja dizia John Lennon e ninguem quis ver- ja acabou ha tempos,e a ilusão do sonhador.E todos se submetem de forma vil e vã a toda essa mentira que se sustenta às custas da crença de milhares, da vida e do tempo de viver de outros tantos.

Sobra muita hipocrisia, muita somatizaçao e muita negaçao pra nao ter que encarar que tudo nao passa de uma enorme ilusao, mais do que uma quimera e mais do que uma utopia.
O ritimo é lento, o ranço da discriminacao erronea nao se apaga com as oportunidades de compras, e o dinheiro acima de qualquer valor, gera inflacao de psiques, de valores de sustentaçao e de principios.
Uma nova ordem se instala, mais do que uma lei Darwiniana do fisico e sua fome de existir no corpo, é a ordem da sobrevivencia a qualquer custo, nem que seja à base da violencia, à base da tormenta cotidiana, da perda do sentido pra cores e gostos, por que o correr atras, como forma de vida, virou um valor e uma cobrança pessoal e interpessoal.
Estao todos endividados e nao sao dividas financeiras apenas. Sao dividas existenciais, afetivas, dividas de presença, dividas de omissao, dividas de dúvidas várias, dividas de incertezas, dividas de medo, dividas de saúde, dividas de palavra, dividas de vida.

Nao sendo senhores do desejo por que esse passou a ser uma peça de manobra do marketing e sua industria destruidora, nos confundimos com tudo, com o que achamos que queremos e o que achamos que somos.
Nao temos mais identidade, nao temos mais espaço, e ainda brigamos pra termos tempo.
As dimensoes que caracterizam nosso planeta ficaram como forças coercitivas. Voce é valorizado pelo espaço que dispoe e pelo tempo que domina pra conseguir dominar qualquer coisa.
Estamos todos num delirio coletivo, à deriva, cheios de odio e de medo, nos dopando pra fingirmos que temos controle sabe-se lá do que, e ainda temos que ouvir discursos sobre produçao, economia, crescimento, medalhas de conquistas, combates a doenças desconhecidas e outras que nem se sabe por que as contraimos e sustentamos.
E tudo isso em nome do ideal bleu, blanc rouge, que nos foi imposto e jamais avaliado como o goal conquistavel.
Isso em falanr da sustentaçao do cristianismo, que tambem prometeu a salvaçao diante de parabolas e metaforas que a maioria da populacao nao decodifica e nem tem condiçoes de pensar e refletir por que ha muito, vive com a empafia de ser um animal superior, e nem percebe que destroi o proprio ambiente em nome de sobreviver.
Arrebenta-se a casa onde se vive mas discursa-se sobre viver bem e economizar para o futuro e como sobreviver com dignidade na velhice.
Nada sabemos sobre o domino de nossos hormonios, e nada sabemos sobre o dominio dos ditos nossos governantes escolhidos e eleitos, em alguns casos, ladroes de sonhos e procuradores gerais de coisa nenhuma.

E os humanos seguem fazendo o mesmo percurso, discutindo conceitos como globalidade, repetindo e imitando como macacos o que outros macacos fazem e ainda chamando isso de evoluçao.

No mundo da fisicalidade ainda ha briga de territorio, inseguranca diante da perda do par, terror diante da morte, e muita arrogancia diante da aparencia e toda a industria da beleza, pra sustentar o vazio que preenche toda vaidade.

Saída? Pra que? Ninguem quer mudar o curso da ilusao, nem encarar o que de fato se passa. Fica mais facil culpar alguem, o governo xis, o papa nao sei qual, os donos do petroleo, o aumento de impostos, etc…
Crescer requer refletir e requer mudanca de atitude e de habitos. Abrir mao do que nao presta e discriminar o que se poe pra dentro e parar de ficar tipo Maria vai com as outras, por que Deus é pai, e um dia a gente chega la…

Nao dá mesmo pra ver que tudo isso é apenas uma invençao ridicula?

Sandra Paes - 08:13 PM CST [Link]