Terça-feira, Agosto 16, 2005
Ando perdendo os sonhos
Tive uma amiga que sempre me dizia: só peço que não me tirem a capacidade de sonhar!_
Me lembro de ouvir isso desavisadamente, lendo quase como um lamento-uma vez que a via como alguem com forte tendencia a queixas continuas na vida.
Ontem, depois de perder o sono, temporariamente por conta de conversas on-line, me deparo com um diálogo entre um par de enamorados na TV que tratava do mesmo tema: o que tem sido feito de nossos sonhos?
A personagem dizia que, de repente, estamos perdendo nossos sonhos mais simples, como olhar pra alguem e confiar o suficiente pra querer compartilhar sua vida com ela. Isso me deixou mais acoradada, é claro!
Por que virão os testes, essas coisas simples, como gostar do beijo, a pele conversar mansamente e se reconhecer, sentir a paz propria dos que se comprazem num mesmo momento de viver!
Esses sonhos simples, aparentemente, estao cendendo lugar a atropelos e massacres de violencias pequenas ou nao, que nos conduz à desconfiança, ao stress da corrida da sobrevivencia, sem falar em demandas de outras ordens.
Não estou reproduzindo tão bem é claro, o diálogo, que mostrava entre outras coisas o que dizia o enamorado: a pior das provas é a prova do convivio cotidiano, quando as pessoas começam a se revelar mais em seus hábitos e ultrapassam, as vezes, a tenue linha de respeito à individualidade e delicadeza do outro, ou conseguem manater viva a beleza de contemplar o outro, ali, sentado tomando um café, dizendo que ele é ótimo, de forma tão amavel e natural...
Quando tudo isso acontece, quando todas as provas sao ultrapassadas e confirmadas pela escolha de"sim é isso que quero"- Coisa dificil hoje em dia de se conseguir- vem quase sempre um invasor. E o qque parece pior é que todos nós sonhamos com isso.
Nao é preciso que venha a vida a atropelar e roubar o sonho, tal como essa infernal maquina de cortar grama debaixo da janela que me arrancou da cama tao cedo, de forma tao agressiva.
Meu sonho, aquele que se tem quando dorme, foi interrompido, abruptamente, claro, pra variar.
E, nao me lembro quando de fato tive o livre direito de sonhar sem atropelamentos.
Tive que me adaptar ao fato triste que nao posso sonhar, pois até os Deuses e Deusas, que por que imortais inventaram o ciume da temporalidade e efemeridade de todas as coisas, me roubam esse ato.
Ainda assim sonho bonito, sonho colorido, sonho o melhor e batalhei sempre, guerreira livre que sempre fui, pra que eles se concretizassem..
Agora, nem com toda a tormenta que se aproxima, e todas as dores que meu corpo retem por nao ter o cotidiano tao sonhado de alegrias e paz ( combinaçao lotérica!) me percebo nao desitindo, e nao quero e nem posso!
Café! música! cabeça leve, pés quentes no chao, um pouco de dança pra sacudir tudo e vamos !
Parece que nosso papel aqui, nessas paragens, é mesmo sonhar e sustentar isso. Haja desejo!
Agora, o que fazer com todos esses outros atropeladores de fato?
Eu, escolho rir, por que chorar e tragediar, nao é meu forte, e não será dessa vez, de novo!
Sandra Paes - 09:27 AM CST [Link]