Thousands of brands, all kind of fashion,cosmetics,styles, stages, diets,competitors around beauty..we still strugle with intimacy, we are afraid to be naked... For how long?





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Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Falta de assunto

Há vezes em que o silencio prevalece. A vontade de ficar em casa, internamente, por conta de tantos temas que rondam nosso ser, nos deixa assim: calados.
Quando opto por ficar quieta não falta a cobrança efervescente das pessoas que gostam de tagarelar.
Aliás, cobrança de presença é o que mais apareceu no script de minha vida. Isso por que considero que, na verdade, estamos todos performando um certo script. Somos todos atores, muito poucos, poucos mesmo, autores do próprio enredo.

Há aqueles que acham que seguir os ditames do mundo é estar na moda ou estar vivendo intensamente.
Curioso, nunca pensei isso, e nunca fiz isso de forma definida. A vocaçao- Maria vai com as outras- não foi instalada em mim.

Se fosse um peixe, seria um salmão, nadando contra a corrente, subindo corredeira acima, se fosse um pássaro, com certeza seria uma águia, voando acima dos abismos e construindo ninhos em lugares inalcansáveis, se fosse um animal com certeza seria uma onça pintada- herança de minha mãe, assim chamada pelo meu pai, se fosse uma flor, talvez um edelweiss..brotando também num lugar quase improvável.
Ha em mim um gosto pelo excentrico, pelas entrelinhas, pelo invisível, pelo não formatado, pelo ainda não materializado. E isso faz com que os incautos me confundam com paixão, ou algo assim.

Não tenho a cegueira dos apaixonados. A visao, mesmo a interna, sempre foi meu sentido mais acurado. E nunca caminha sozinha, dissociada da apreciaçao acrescida de pelo menos mais dois sentidos, o que funda de imediato o gosto pela estética e por consequencia, pela ética.

E vc pode se pertuntar e o que tem a falta de assunto a ver com isso?

Tudo, por que hoje em dia, essas coisas so se vivem em silencio.

Nao ha parceria quando o outro fica apenas como um babá em vigilancia ou um fã, desarvorado, perdendo a fantástica possibilidade da parceria- espaço onde a contemplaçao e admiraçao recíprocas, se juntam pra exercer um novo fascinio : o prazer de descobrir o novo ou mesmo o antigo, mas sem interferencias e sem alardes, por favor!

Sandra Paes - 08:10 AM CST [Link]

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Onde nao posso responder..

Tenho uma amiga que escreveu um livro com o título de "onde não se responde". Perguntei a ela o significado uma vez e ela me disse, quando voce for ler o texto dentro, com certeza vai entender.

E hoje acordo com isso, diretamente, vindo de um sonho/pesadelo. Dessas coisas que nos faz não saber onde estamos, fazendo o que, que dia é hoje, e quem somos nós.

Levei algum tempinho pra responder a mim mesma: segunda-feira, setembro 12, resumee pra preparar, dor de estomago, dia de lavanderia, ah, que horror! que horas sao? por onde começar, e começar o que e pra que?

Custei a pular da cama. Até a hora em que decidi e isso é uma escolha mental, em primeiro lugar, e entao fui olhar o relogio e vi que eram sete e pouquinho da manha.
Cato o controle remoto, busco um canal de noticias, quero saber do tempo la fora, ventos ou sol, e tudo isso numa lenta busca de localizaçao.
Constato que na verdade, estou onde nao posso responder a essa in-tensa força quase katrina que me desperta, sem que nem pra que.

Será?

Nao sei se preciso de serviço de meteorologia, pra saber do tempo, minhas vísceras, sempre de plantão, avisam qualquer coisa e ultimamente nao ando querendo responder a nada, nem ao telefone.

E essa vida louca cheia de condicionamentos de produçoes várias pra justificar a existencia, nem que seja o pagamento de contas que fazemos pra tambem justificar a existencia, mais farta, mas larga, mais confortável.
Acomodaçoes. Comodities de várias ordens que se espalham num minuto diante de meu olhar que constata a bagunça de minha mesa de trabalho ou de desordem- outro lugar onde nao posso responder por nada que me peçam.
Nao chego a perder o S.S ou o CPF, mas ando perdendo um rumo, um desses que normatiza a vida, regula o relogio biologico e faz todo mundo ter um cartao de ponto invisivel a lhe ditar que é hora do café, de tomar tenencia, de paquerar, de fazer sexo, de por os estudos no lugar, todas essas demandas pra justificar um salario ou quem sabe um pouco mais de segurança financeira de alguma forma pra nos dar a gostosa ilusao que acordar é bom.
E aí vem uma ventania ou uma chuva de raios, como as que tenho experimentado ultimamente, e esfrega na minha cara diretamente, que nao posso responder a quase nada. Que atriz!

E nem me chamo Beatriz e nem inspirei Tom Jobim!

Mas o que ta incomodando mesmo é saber que fui musa de alguns e nem respondi a tal. E isso foi mesmo, jogado na minha cara ontem à noite?
Como? se nem me dei conta por nao me dar conta de até onde estou?
Passei a vida aprendendo a responder a demandas, que parecem, nao cessam, e descobri que na verdade, nao quero mais responder a nada, e agora?

Sandra Paes - 09:05 AM CST [Link]