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Quarta-feira, Setembro 21, 2005

Mulheres furiosas

Num mundo, governado por homens, em sua maioria, parece que poucos percebem quando as mulheres se tornam furiosas e revoltadas em sua natureza.

Não sei quem resolveu nomear os furacões e tempestades e outros fenomenos, com nomes de mulheres, mas fato é, que faz semanas, não faço outra coisa além de ficar alerta e trabalhar muito pra minimizar os efeitos dessa força avassaladora.

Nos últimos dias, Rita levou meu sorriso, literalmente arrancou-me o peito em dores tao intensas que eu, que nao sofro de pressao alta, passei maus dias com 17x14.

Nao é fácil experimentar a sensaçao de estar fora do corpo, arrancada por forças que pertencem ao meu campo de consciencia maior, e ter que voltar num veículo fisicamente atropelado com batidas a 91 e uma pressao de arrebentar o peito.

Força da natureza?

E onde é que minha natureza, se é que minha, se encontra com essa outra que somos todas nós?

A força do feminino submisso, saindo a toda, levando pelas águas e ventos, sua mais definida forma de lavagem, tudo que encontra pela frente, e nem sempre os homens conseguindo ler o significado de tudo.

Sinto que ha um aviso claro de humildade, redençao à natureza, mae que nos acolhe e que parece, ainda se coloca exausta de tantos abusos, e ninguem parece ver de fato.

Sinto cada cena de abuso e extorsão praticada contra cada mulher, cada moça, cada menina, em nome delas serem delicadas e servis. Sinto a dor pungente de todas essas belas manifestaçoes da vida, em forma de árvores, enseadas, mães, namoradas, enamoradas, sendo vilipendiadas e baipassadas de alguma forma.

Meu coraçao, que é guerreiro, segundo minha cabeça, nao aguenta e sede, em dores, em pranto, em desejo incontido de sair do peito.
E como ja dizia meu poeta brasileiro- "a Rita levou meu sorriso, o sorriso dela, meu assunto, levou tudo que é de direito , arrancou-me do peito e tem mais"..

O que mais ainda posso suportar?

Sandra Paes - 09:44 AM CST [Link]

Domingo, Setembro 18, 2005

Onde estou?

Tá ficando cronico..faz dias acordo com essa pergunta em mente, e em seguida, outra:- que dia é hoje?

Precisar de um café pra me localizar, ja virou outro hábito. E detestando hábitos, por saber de seus poderes conservantes, me surpreendo.

Isso fica assim tão complicado, por saber, quando acordada de fato, que Eu nao existo.
Dia desses falava para uma amiga querida sobre essa descoberta- a de que o Eu é uma instituiçao criada, inventada e sustentada, atraves de uma coleçao de feitos e títulos.

Quando crianças, nao temos a noçao do EU. Entao começam a nos ensinar a dizer e repetir, eu isso e eu aquilo. Quando crianças, naturalmente compartilhamos tudo, por não termos consciencia da posse e nos ensinam que as "coisas custam caro" e que temos que guardar e conservar o que temos- nos inoculam o senso de propriedade e zelo.
E assim aprendemos o significado de meu..E pro resto da vida, é essa luta ridicula de eus e meus a desputar lugares, objetos de desejos, poderes de conquistas, e lugares de status.

Todos esses rótulos de todas as cores a exibir fachadas loucas de inumeráveis máscaras, todas ideais, todas quase perfeitas, até por que a perfeiçao nao pode tocar o eu, ele se funde com a vaidade.

Viajante sempre, sei de uma particula de luz em mim, que sai por ai, que frequenta mentes e corpos, e tantos lugares, até nunca vistos pelos olhos físicos, mas que nao sei..apenas constato, se é que é assim mesmo.

Deveria ser natural acordar e ter a surpresa de:- onde estou?

Sei, no entanto, que vivo num mundo de eus, e aqui ha que se falar essa lingua,ha que se conjugar o verbo ter e saber que em certas linguas ele se confunde com o verbo ser, há que se dar respostas, discutir sobre sexo e desejo, e nada saber de fato sobre tantos comportamentos e atitudes desconectadas da propria essencia, própria no sentido de única. E as pessoas saem por ai, como bolas de bilhar, soltas numa mesa a rolar, quase a evitar o destino fatal de cair numa caçapa qualquer, até sem ser a bola da vez.
Se é que as bolas em jogo tem mesmo alguma consciencia ou controle sobre seus destinos..

Monadas que se chocam e provocam reaçoes e açoes descontroladas, as vezes brigas, as vezes acoplamentos, e muitas vezes, recuos, apenas isso.

Se for bola sete entao, será a mais cobiçada e a última da vez.

Nao, nao estou numa mesa de sinuca, nem me sinto numa sinuca de bico, como dizem vez por outra, mas acordar sem saber onde está o que, virou fato comun, especialmente quando se tem a rara chance de nao ter alguem ao lado que logo lhe pontue ou localize:- bom dia! vamos fazer isso?

E até chamam a isso de cronica, e vez por outra de felicidade!

Nao ha como nao parafrasear Quincas:- aos vencedores, as batatas!

Sandra Paes - 09:17 AM CST [Link]