Terça-feira, Novembro 9, 2004
Entre espirros e lágrimas
Há dias estou nesse estado de estupefacção. Por um lado, o sentir de uma fraqueza animica que se manifesta por espirros, a prenunciar uma queda de defesas imunológicas- tem guerras demais à minha volta. Caminho por territórios minados, até nos olhares e esgares das pessoas camufladas em si mesmas, pra evitarem demonstrar em público o panico.
Medo de confiar, medo de entregar-se, medo de viver.
Essa vivencia transborda meu coraçao que fala muitas vezes em forma de sorriso ou de lágrimas.
Ando assim, cambaleante quase, por dentro, afetada que sou, como muitos, por toda essa tristesa que abate o core e o pensamento de todos, aguados pelas forças que indulgem ao terror e à falta de confiança.
Ficar de pé, nunca custou tanto, além do esforço natural pra vencer a própria força da gravidade.
Há, agora, uma outra força além dessa, grave, gravíssima.
Há um puxar pra baixo que abate a tantos, deprime a tantos outros, retira a luz de alegria dos semblantes e faz com que esse outono fique menos colorido que o normal.
Ainda assim, saio aos domingos à cata do sol e do azul celestial, que sei existe e está lá disponível , independente de todos os bits dos satélites que se focalizam pra captar imagens de terror e enviar ondas de engano que fazem tanto mal.
Eu, Alice, sem país de maravilhas, escolho a toca do coelho pra viver, e nela, respiro entre espirros e lágrimas que revelam que estou muito viva, a sentir tudo que o agora revela.
E isso é pra lá de bom!
Afinal, estou aqui mesmo, pra experienciar ser humana. Sem julgamentos.
Sandra Paes - 09:58 AM CST [Link]